Entre esconder-me e (re)aparecer

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Sou dessas pessoas que nunca pensou em ‘chamar atenção”. Juro, antes de perceber que esse chamar a atenção volta e meia me causava problemas, não pensava nesse assunto bobo. Na minha imaginação e na realidade que construo, todo ser humano que permito aproximação, chama uma atenção danada. Fico boba enquanto percebo as cores da pessoa, vou-me encantando ou me afasto, quando as nuances não se afinam com a minha energia no momento.

Sempre percebi energias, muito mais do que status, fantasias de marcas ou essas coisas mais superficiais. Óbvio que o belo me chama atenção! Mas, vamos combinar…a beleza tem taaaaaantas formas de se fazer presente! Então, o tempo passou e meu olhar foi treinando a perceber as energias, as cores da pessoa, antes de qualquer outro filtro de afinidade. Depois, meus ouvidos ficaram treinados para perceber os sons disfarçados pelas palavras ditas. Já percebeu quanta gente fala uma coisa e nas entrelinhas dos sons, o texto é outro, o olho do locutor costuma entregar as verdades que foram escondidas pelas palavras. Enfim, quando algumas almas passaram a me dizer que eu chamo muita atenção, acabei cedendo a observação do fato. Parece ser verdade. Só não entendo o porque disso. Sou extremamente comum, quase feinha, nunca me inseri do “padrão de beleza” da modernidade e ainda assim, esse contrassenso. Alguns vão pensar que isso é ótimo, mas devo confidenciar que não é bem assim que a banda toca.

Quando se chama atenção, invariavelmente torna-se alvo de rótulos dos tipos mais insanos. O mundo está lotado de pessoas que não percebem além da casca e confundem a percepção deles, com a “mensagem” que você quis passar. E o povo erra…e erra feio! Daí ficam extremamente ofendidos quando você coloca seus limites que não correspondem as expectativas deles e, num passe de mágica, você passa de diva poderosa à bruxa do 71 e lá se foi todo seu pseudo-glamour. A gente cria cada estória louca a respeito “do outro” a partir de nós mesmos, que é risível. Alguns, tenho certeza que nem Freud explica.

Depois de alguns desses “senhores criativos” terem me deixado traumas profundos, entrei na neura e sou incapaz de usar roupas estampadas ou muito coloridas. Ainda curto uma maquiagem leve, mas tomei gosto por me esconder atrás dos óculos. Sem perceber, comecei a tentar me apagar. Engordei horrores e por um tempo, me fiz feia para ver se diminuía esse papo. O único efeito real foi ficar com vergonha da minha imagem no espelho, mas para os ‘criativos”, quase nada mudou. Os seios gigantes chamavam muita atenção e os cabelos que eu usava grandes para eventualmente me esconderem, eram vistos como “sedutores”. No fim das contas, foi um enorme prejuízo pessoal e a minha conta ficou alta.

O tempo passou, eu mudei e finalmente desencanei. Agora até acho “fofo” chamar a atenção e tenho muita consciência que meus limites são postos para quem tenta me invadir sem permissão e não para mim. O cabelão sumiu, alguns quilos extras foram mandados embora, os óculos eventualmente ainda são utilizados, por necessidade ou por charme. Passei a ter prazer em ser quem sou, com a imagem que vejo. Gosto mais das minhas cores dessa forma e a pele que habito hoje, é meu templo particular.

E sigo pela vida sem querer chamar atenção, mas prestando muita atenção a tudo e todos que me agregam, respeitando a mim como antes só era capaz de fazer com o outro.

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4 comentários sobre “Entre esconder-me e (re)aparecer

  1. Eu sempre costumo te lembrar do quanto você chama atenção assim, naturalmente – sendo o que é…

    E isso é o mais lindo de tudo, porque não exige esforço – vem da alma, manifestando-se desde o seu sorriso até os demais inúmeros detalhes.

    Amo você assim, “de coração cheio”!

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  2. Você me fez pensar no que disse Rubem Alves em uma de suas crôncias, que a beleza é o que os outros veem e não o que nós vemos de nós mesmos. São espelhos falsos que não nos diz exatamente o que somos, apenas o que não somos. rs
    Fato, e os tais rótulos a nós impostos pra mim são motivo de sorrisos e silêncio, vou indo na contramão de tudo e, deixando para o outro que vem ao meu encontro qualquer coisa alheia a mim e, não me importo de ser assim.
    bacio

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