Sobre escolhas, desafios e fluidez

“Não posso escolher como me sinto,

mas posso escolher o que fazer a respeito.”

William Shakespeare

desafios e escolhas

Este texto nasceu de uma escolha. Uma escolha muito natural, nada dolorida, embora contenha sua dose particular de desafio. Desafio sim, já que tenho uma série de outras escolhas a fazer para que ele (o texto), seja minimamente coerente.

É de conhecimento universal que todos nós, assim que abrimos os olhos ao acordar, somos tomamos por uma sucessão monstruosa de escolhas a serem feitas. Sim, vocês pensarão, que coisa mais óbvia! Será mesmo? Pergunto-me quantas escolhas vivemos fazendo de forma inconsciente e, na mesma inconsciência vamos deixando a vida tomar rumos e pesos dos quais reclamamos (e muito!) depois.

Onde quero chegar? É simples. Dia desses, parei para respirar conscientemente…prestando total atenção na forma da respiração, se estava lenta ou acelerada, na quantidade de ar que estava inspirando e expirando e também na quantidade de ar que ficava retendo, com medo de soltar todo o ar e ficar “com falta de”.  Parece bobo, mas não é.

Assim como a gente respira sem pensar, também faz escolhas de forma automática e, dependendo do ciclo vicioso de cada um, acaba se habituando com os malefícios inseridos nas entrelinhas dessas escolhas e se deixando ficar poluído. A coisa da inconsciência cresce tanto que, de repente a gente já nem sabe mais viver sem as neuras, as ansiedades, as dores, os pesos que alimentamos. Até aí, nenhum problema se vivêssemos bem com as consequências. Se. Se, porque a maior parte do tempo, não lidamos nada bem com elas e vamos ficando menores, mais fracos, mais tristes e muito mais neuróticos por conta disso.

Não quero saber quem inventou essa pantomima sem graça, de que as coisas difíceis é que têm valor, que se não houver muito sacrifício, drama e esforço envolvido, vivência quase nenhuma valerá a pena. Não quero saber, mas espero que mesmo depois de morta, essa criatura tenha mudado de ideia. Isso não faz o menor sentido!!

Relacionamentos difíceis, trabalhos altamente desgastantes e vivências ansiosas num grau quase desumano, fazem bem a quem? A meu ver, são apenas formas de martírio ilusório. Uma tentativa muito singular de se sentir incrível por ultrapassar os limites do saudável, numa fantasia muito particular de receber aplausos por estar se matando. Sei lá…entendo que cada um de nós tem sua dose de masoquismo, mas será que precisa tanto?

Depois dessa prática de prestar atenção na minha respiração, rolou uma luz, um insight de que eu andava retendo muita porcaria. Me entreguei a umas “missões” que pareciam coisas boas (e de alguma forma valeram), mas cujo desgaste me deixou doente. Fui me envenenando com as escolhas que fazia inconscientemente para me sentir mais útil, para me sentir “vencendo desafios” e só o que consegui foi muito desgaste, um punhado de julgamentos babacas dos “outros”, um monte de abobrinhas que adoeceram minha alma e meu corpo. Daí pra frente, caríssimos, passei a prestar atenção consciente não apenas a minha respiração, mas a cada escolha que faço. Se as consequências virão, quero vivê-las saboreando o prazer (ou dor eventual) de tê-las conquistado.

Claro que não me livrei de todos os meus venenos, alguns são até prazerosos, mas se for pra me matar, que seja de uma forma mais leve, que simplesmente ocorra…flua…como as águas de um rio, que nem sempre contornam as pedras do caminho, mas que não mudam sua direção.

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2 comentários sobre “Sobre escolhas, desafios e fluidez

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