Silêncios que murmuram

“Não importava

se era bom ou ruim

o que escrevia.

Importava

transformar dor

em marca.”

– Eliane Brum –

silêncios

Ouve bem esse silêncio que grito em teus ouvidos
Ressentidos, magoados, reverberantes
Como dantes,
Te sussurrava palavras francas.

Vê bem esse tapa na cara
Que não te dou agora
Por estar fraca.
Cansada do esforço
de outrora.

Percebe a falta do sorriso,
do ouvido atento,
do pensamento
que antes, te mapeava sentimentos.
Segurava tua mão
e enxugava teus tormentos.

Sente a ausência do meu aroma doce
da minha casa pobre
do meu café fraco.
Encontra, apavorado e ansioso
por um desabafo
Um muro vazio…
Tão lotado de pesares
quanto o teu.

Vai … ouve bem
o silêncio que te cobre
surrado
vazio
esgotado
Pelas palavras que você não deu.

 

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3 comentários sobre “Silêncios que murmuram

  1. Certamente, são estes os silêncios que mais nos traduzem. Que mais tocam o outro – quando ele se permite abrir à essência que existe em nós.

    Aquilo que dói de maneira invisível e, uma hora ou outra, acaba por sangrar.

    Belíssimo, minha amiga!

    Curtir

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