A culpa, é das estrelas??

 “Tenho medo de não ter

Nem uma vida, nem uma morte

Que signifique alguma coisa. ”

– John Green –

A CULPA É DAS ESTRELAS_FRASE 02

Acredito que nada nos chega, na vida, por acaso. Assim sendo, não foi por acaso e, milagrosamente, também não foi pela capa ou pelo título, que cheguei ao livro “A culpa é das estrelas” de John Green. Minha história pessoal em algum momento passou pelo corredor da perda e do câncer e, no momento que peguei o livro por curiosidade há mais de um ano atrás, achei que valia a pena folheá-lo. Fiquei grata pela escolha do livro.

Até outro dia, nada sabia de John Green, além do fato de estar  bombando como autor teen, mais recentemente, com a estreia do filme homônimo baseado no livro é que assisti entrevistas do escritor que me fizeram simpatizar ainda mais com seu olhar. Numa destas entrevistas, Green dizia ter escrito o livro de forma a desfazer o monstro que costumamos ver no câncer ou na possível vitimização dos portadores. A realidade (ao menos a qual tive acesso) passa um pouco ao largo dessa minimização de rótulos. De alguma forma, fiquei com a sensação de que Green olhou a doença e a vida dos doentes, pelo mesmo ângulo que eu, com normalidade. 

Sobre o livro, a percepção foi de que não é apenas um livro teen, merecendo o alcance de público diverso. Por que? Pelo fato de ser sensível, irônico, dolorido e muitas vezes, engraçado também. Além de trazer diálogos bem amarrados e construídos de forma a nos impulsionar a leitura, incluindo citações de Shakespeare.

Num olhar muito particular, mergulhei no romance vívido do casal adolescente, me vesti com a curiosidade literária de Hazel Grace (a personagem principal da estória) e enxerguei os adolescentes de idades variadas que me rodeiam o mundo real, nas ironias e deboches de Gus Waters (par romântico de Hazel). Viajei em seu romantismo e necessidade de se agarrar à uma realidade cínica. Senti falta de ar com a ansiedade contida no universo desta narrativa e uma certa orfandade ao fim das páginas. Exatamente o vazio que sentimos quando algo que nos toca, termina. Fiz minutos de silêncio pelo término da estória, que ainda reverbera em mim, a despeito de todas as outras que vieram.

Se Green é tão bom escritor quanto a mídia propaga, ainda não descobri por não ter lido seus outros livros, mas digo de coração cheio de quem gosta de luas e bebe estrelas que, elas definitivamente são culpadas apenas de inflarem nossos sonhos…

” Os mortos são visíveis apenas através do terrível olho vigilante da memória. Os vivos, graças aos céus, mantêm a capacidade de surpreender e de decepcionar.”

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9 comentários sobre “A culpa, é das estrelas??

    • Então atingi meu objetivo, Lunna. Nem de longe eu faria uma resenha enaltecendo ou arrasando um autor que conheço pouco, mas quando um livro mexe com algo dentro da gente de uma forma mais especial, penso que merece nossa opinião pública.

      Obrigada pela ajuda e pelo olhar que só me melhora.
      Beijos meus.

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    • Manô, querido…

      Saudades de ler você aqui e lá no seu espaço.
      Ando ausente dos meus tempos, das leituras preferidas e, por vezes até dos meus dias. Tenho intenção de voltar em breve para trocar mais com quem admiro.

      Beijos meus.

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  1. Cláudia, sou uma pessoa que procura na medida do possível não ter preconceitos com relação a livros e leitura. Sempre sou da opinião que todo livro tem seu leitor certo. Demorei bastante também para ler esse livro. Mas não porque tinha qualquer preconceito quanto a ele. Não lia porque os livros dele simplesmente não param aqui na biblioteca. Costumam ter listas de reserva.
    Até que chegou às minhas mãos e li. Numa tacada só! Deixo aqui minha resenha sobre a leitura. Você como sempre escrevendo poeticamente sobre tudo. Amei! Bjs
    http://sonhosmelodias.blogspot.com.br/2014/05/quando-as-estrelas-anunciam-que-nem.html

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  2. Se antes eu já tinha vontade de entender “qual é” a de John Green, agora o desejo se tornou maior ainda, aguçado pelo seu olhar – que me é puro requinte.
    Adoro sua perspectiva e tudo que ela desperta em mim. Obrigada por me trazer uma visão tão agregadora sobre a vida e suas mazelas.
    Amo você, amiga!

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    • Minha linda,

      Ainda não sei qual é a de John Green. Só li, dele, esse título, o que é muito pouco para falar sobre um autor. Mas tudo que escrevi sobre o que o livro acendeu em mim, é um fato e dou fé. rs
      Se vier a ler, espero que goste tanto quanto eu gostei.

      Beijos meus,

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