Balzaquiana – A divina arte de ter trinta e poucos anos…

“Hoje aos trinta é melhor que aos dezoito… Nem Balzac poderia prever.”

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O dia hoje amanheceu cinza. Abri os olhos e meu primeiro pensamento foi: “- Obrigada, Deus!!”.Sempre fui apaixonada por dias cinzas e, em pleno dezembro no Rio de Janeiro, esses dias são muito, muito raros. Mas hoje… Ah! Hoje é MEU dia e Deus resolveu colaborar, me devolvendo alguma esperança: um dia cinza me devolve a calma da alma.

Hoje é dia de ficar “menos nova” e só os muito chegados sabem o quanto ando odiando isso… Foram dias e dias de depressão, de profunda reflexão, de rebeldia torturante por não poder parar o tempo até fazer a vida “dar certo” e, aí sim, voltar a dar start e vê-lo passar com a dignidade e elegância que aprecio.

Nasci de novo assim que o relógio bateu suas doze badaladas, anunciando um novo ciclo, um novo dia, a esperança de um novo tempo. Meia noite e um carinho, aquele, que eu queria muito, mas não esperava e muitos outros carinhos, alguns de que tinha certeza que viriam, por serem diários, queridos, aqueles que são capazes de me amar até mesmo nos abismos mais profundos. E o dia começou trazendo o novo, o antigo e a síntese.

Confesso que não tenho nenhuma saudade do meu passado, nenhuma outra época me trouxe tanta novidade, tanto autoconhecimento, tanta concretude, tanta alegria e tantas contas (da vida) para saldar. O olhar mudou… Já não aceito ser manipulada sem consciência, aprendi que a vida tem seu tempo próprio para me trazer vivências e aprendizados. Diminuí minha pressa, minha ânsia e, principalmente, minha imensa arrogância.

Ser Balzaquiana me trouxe uma delicadeza que antes não havia, o prazer de cuidar daqueles pouquíssimos seres que amo e… nossa! Que prazer imenso me dá acarinhar a quem cativa meu amor.

Balzaquiana, me reconheci mais bicho, apurei olfato, tato, sensações… Interiorizei e me tornei todo, uma Balzaca menina, que pula feliz, que abraça inteiro, que beija e se entrega como se não houvesse amanhã (porque realmente não sei se haverá). Balzaca, me permiti aprender, flexibilizar, olhar atentamente, sem pressa… a querer ouvir mais… aprendi a ficar feliz quando percebo que não tenho razão e, aos poucos, estou tentando aprender a me deixar cuidar, a me deixar amar… (essa sim está sendo uma lição difícil).

Hoje, mudei o olhar e agradeci pelas oportunidades de viver coisas novas, de aprender com as pessoas que a vida me trouxe, com o carinho que cada um consegue dar do seu jeito, a seu modo, ainda que seja diferente do meu, ainda que seja diferente do que eu daria… Ainda sou eu, ainda quero demais, como a menina que me percebo.

Sou uma mulher gulosa de viver… sou uma menina que gargalha sem medo, que sente medos irracionais, uma adolescente crescida, uma mistura danada. Sou essa, Balzaquiana levada e sossegada que ainda tem muito que aprender apesar dos trinta e poucos anos…

Hoje proponho um brinde à década mais gostosa de todas, a todo aprendizado, amor e vida da forma Balzaquiana de ser. Por hoje e por todo esse novo ciclo, que há de ser mais feliz.

Tim-tim.

“Uma mulher de trinta anos tem atrativos irresistíveis. A mulher jovem tem muitas ilusões, muita inexperiência. Uma nos instrui, a outra quer tudo aprender e acredita ter dito tudo despindo o vestido. (…) Entre elas duas há a distância incomensurável que vai do previsto ao imprevisto, da força à fraqueza. A mulher de trinta anos satisfaz tudo, e a jovem, sob pena de não sê-lo, nada pode satisfazer.”

– Honoré de Balzac –

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