Lya Luft

“… acho que a vida é um processo…
É como subir uma montanha.
Mesmo que no fim não se esteja tão forte fisicamente,
a paisagem visualizada é melhor…”

– Lya Luft –

Tenho conversado, esses dias, com as letras e pensamentos de Lya Luft. Trata-se de uma profissional do ramo das letras, que pode-se chamar de completa.

Lya é tradutora, poeta, escritora e professora aposentada, nascida em Santa Cruz do Sul, em 15 de setembro de 1938. Como escritora, Lya Luft recebeu os prêmios: Alfonsina Storni de poesia em Buenos Aires, 1980; Érico Veríssimo, da Assembléia do Rio Grande do Sul, pelo conjunto de sua obra, 1984; melhor obra de ficção de 1996 da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), por “O Rio do Meio”. Atualmente, dedica-se apenas à escrita e à tradução de literaturas inglesa e alemã, incluindo Thomas Mann, Bertolt Brecht, Hermann Hesse, Gunter Grass, R.M. Rilke, Robert Musil, Doris Lessing, Virginia Woolf e outros.

Em minha leitura particular, trago profunda admiração por sua forma de escrever e transformar percepções e sentimentos em palavras. Segundo Lya, sua obra poderia ser resumida num livro de indagações. Ler a obra de Lya Luft é uma viagem pra dentro do ser, de sua própria história, que acaba por encontrar-se com a da autora em tantos pontos. Um pequeno trecho que retrata um pouco isso é:

“A vida é maravilhosa, mesmo quando dolorida. Eu gostaria que na correria da época atual a gente pudesse se permitir, criar, uma pequena ilha de contemplação, de autocontemplação, de onde se pudesse ver melhor todas as coisas: com mais generosidade, mais otimismo, mais respeito, mais silêncio, mais prazer. Mais senso da própria dignidade, não importando idade, dinheiro, cor, posição, crença. Não importando nada.”

Em um convite mudo, a escritora nos chama para refletir e se descreve:

“Sou dos escritores que não sabem dizer coisas inteligentes sobre seus personagens, suas técnicas ou seus recursos. Naturalmente, tudo que faço hoje é fruto de minha experiência de ontem: na vida, na maneira de me vestir e me portar, no meu trabalho e na minha arte.Não escrevo muito sobre a morte: na verdade ela é que escreve sobre nós – desde que nascemos vai elaborando o roteiro de nossa vida (…)”.

Numa linguagem simples e muito conhecida do nosso cotidiano, Lya passeia no tempo, nas alegrias e doçuras da infância, sem se esquecer dos medos, anseios e olhares muito particulares de cada etapa da vida. Aborda também nossas perdas, as lembranças dos que amamos e já fizeram uma viagem para longe de nós, escrevendo sentimentalidades concretas e lúcidas, sem escorregar para o piegas e se utilizando de clichês quando lhe convém, para mais uma vez nos dar a mão e ir conosco na viagem de sua existência posta em palavras.

Fica aqui um convite para que você, ser vivente e pensador, conheça mais sobre essa autora brilhante e se delicie com a beleza do mundo interior.

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